Características Gerais da Arte Barroca
O Barroco inicia-se no século XVII, na Itália, e decorre até 1761.
O Barroco surgiu em Roma no século XVII, paralelo à Contra-Reforma do catolicismo, sendo Caravaggio seu expoente mais significativo. O sentido original significava “grotesco”, retorcido, irregular e era considerado de mau gosto na época, também considerado “A Arte da Indisciplina”.
Foi nesse clima de crises religiosas que nasceu e se desenvolveu a arte barroca.
O gosto barroco pela aproximação de realidades opostas, pelo conflito e pelas contradições violentas está diretamente relacionado a esse contexto.
Suas principais características são o movimento, a sinuosidade, o exagero, a teatralidade e a suntuosidade. Confere-se prioridade à representação dos sentimentos interiores, reproduzindo inclusive a feiúra e o burlesco. Opta-se por um naturalismo que integra a paisagem como elemento fundamental e substitui-se a perspectiva em diferentes planos por uma composição que tenta representar a profundidade até o infinito. Os jogos de luzes viram protagonistas da arquitetura, da pintura e da escultura, estreitamente articuladas, exagerando o dinamismo, o dramatismo e a sensação de apoteose das obras. Além da temática mitológica e religiosa, na qual a figura humana tem o papel de protagonista. Desenvolveram-se outros gêneros, como o retrato e a natureza-morta.
Em geral, foi uma reação contra os estilos anteriores, altamente academicizantes; os apelos são efeitos surpreendentes, sensíveis e de maravilhamento.
Sua retórica é a do contraste, do exagero, da ostentação e dos artifícios cênicos; a palavra de ordem é ser mais pitoresco possível, exemplos: Basílica de São Pedro, no Vaticano (Roma), Palácio de Versalles, em Paris, e a arquitetura de Ouro Preto-MG.
Procura-se atingir o esplendor no momento das liturgias com a decoração interna das Igrejas.
Dentro do barroco, existem duas tendências: uma de caráter mais cortesão e imbuída do espírito da Contra-Reforma, e outra mais burguesa e intimista.
Desenvolvimento Histórico da Arte Barroca
Ano de 1517: a Reforma Protestante divide a Igreja entre católicos e protestantes; 1540: é fundada a Companhia de Jesus, ordem religiosa que envia missionários a vários continentes; 1563: a Igreja dá início ao movimento da Contra-Reforma, tentando impedir a expansão protestante.
Como se nota por esses eventos do século XVI, o Renascimento europeu desenvolve-se em meio a crises religiosas e movimentos de restauração da fé cristã. A presença religiosa na vida cotidiana e na vida cultural europeia, contudo, é sentida de modo mais contundente na passagem do século XVI para o século XVII, momento em que surge o Barroco.
Assim, a arte barroca, que vigora durante todo o século XVII e chega às primeiras décadas do século XVIII, registra o espírito contraditório de uma época que se divide entre as influências do Renascimento – o materialismo, o paganismo e o sensualismo – e da onda de religiosidade trazida, sobretudo, pela Contra-Reforma.
Como resultado dessas influências, a arte barroca é a expressão das contradições e do conflito espiritual do homem da época. Certos princípios artísticos do Renascimento, como equilíbrio, harmonia e racionalismo, foram então abandonados, o que levou o Barroco a ser visto, durante longo tempo, como uma arte indisciplinada.
Outros nomes do barroco: Marinismo, na Itália; Gongorismo, na Espanha, nesse país Barroco e gongorismo são palavras sinônimas; Preciosismo, na França; Eufuísmo, na Inglaterra.
Barroco no Brasil
O Barroco brasileiro foi diretamente influenciado pelo Barroco português. Porém, com o tempo, foi assumindo características próprias. A grande produção artística barroca no Brasil ocorreu nas cidades auríferas de Minas Gerais, no chamado “século do ouro” (século XVIII). Estas cidades eram ricas e possuíam uma intensa vida cultural e artística em pleno desenvolvimento.
O principal representante do Barroco brasileiro foi Antônio Francisco Lisboa, chamado também de Aleijadinho, devido a uma doença desconhecida adquirida. Suas obras eram feitas em madeira e em pedra-sabão, os principais materiais utilizados por artistas barrocos brasileiros. São exemplos de sua obra: Os Doze Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG).
Barroco Europeu
O Barroco surgiu na Itália, em meio aos conflitos religiosos.
Um importante pintor barroco foi Michelangelo Caravaggio. Em suas pinturas podemos perceber as características marcantes do Barroco, que na Itália, foi impulsionado pela reestruturação da Igreja Católica Apostólica Romana.
Na Espanha, o barroco se desenvolveu principalmente na arquitetura, nos entalhes e nas decorações requintadas das construções, sejam religiosas ou não. Na pintura, teve forte influência do barroco italiano, com predomínio do realismo. O principal pintor barroco espanhol foi Diego Velásquez.
Na Holanda, os artistas barrocos tiveram grande dificuldade em seguir o padrão barroco, já que a Holanda era e é um país muito influenciado pelos protestantes. Mas tais dificuldades acabaram resultando em belíssimos retratos, paisagens e naturezas-mortas.
Na França, o poder monárquico era extremamente centralizador. O Absolutismo francês exerceu forte influência na arte, que deveria ser feita para o rei e os nobres, desprezando tudo o que lembrasse pessoas comuns, simples ou humildes. Nicolas Poussin, Georges La Tour e Claude Le Lourrain são exemplos de pintores barrocos franceses.
Artistas do Barroco do Brasil
Os principais artistas barrocos brasileiros são: Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), escultor e arquiteto; Manuel da Costa Ataíde, pintor mineiro; Mestre Valentim, escultor carioca.
No estado da Bahia, o barroco destacou-se na decoração das igrejas em Salvador.
Artistas do Barroco na Europa
Os principais artistas do Barroco europeu são: Diego Velásquez, pintor espanhol; Michelangelo Caravaggio, pintor italiano; Van Dyck e Frans Hals, belgas; Rembrandt e Vermeer, holandeses; Rubens, flamengo.
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Albert Eckhout
Pintor e desenhista, Albert Eckhout veio com Frans Post para Pernambuco, a chamada Nova Holanda na época, na comitiva do governador-general Johan Maurits, conde de Nassau-Siegen, conhecido em nossa história como Maurício de Nassau. O plano era retratar o Brasil holandês para os investidores europeus saberem a importância das terras ocupadas.
Sobrinho do pintor Gheert Roeleffs, Eckhout trabalhava em Amsterdã (Holanda) como ilustrador, aos 26 anos, quando foi convidado para a missão artística de Nassau. De 1637 a 1644, documentou frutas, flores, animais e pessoas do Nordeste brasileiro com desenhos e telas. Ficou fascinado pelo que encontrou no Brasil. A maioria das telas tinha mais de dois metros de altura. Foram pintadas para o Palácio de Friburgo, a residência de Nassau no Recife e foram levadas pelo governador quando os holandeses foram expulsos.
Mesmo após voltar à Europa, continuou a elaborar imagens sobre material recolhido, ainda patrocinado por Nassau. O príncipe presenteava com obras de Eckhout a nobreza européia. Seu primo Frederico 3º, rei da Dinamarca, recebeu oito representações de índios brasileiros em tamanho natural e uma série de 12 naturezas-mortas com frutas tropicais. Essa coleção pertence ao Museu Nacional da Dinamarca e só foi exposta no Brasil no final do século 20.
Para o rei da França Luís XIV foi enviada uma coleção de oito pinturas, levadas para a manufatura de tapeçarias dos Gobelins onde foram reproduzidas na série chamada "Tapeçarias das Índias". Elas tornaram-se muito conhecidas e foram tão copiadas que os cartões originais que serviam de matriz para produzir novas tapeçarias se estragaram. O Museu de Arte de São Paulo (Masp) possui cinco da primeira série, a Petites Indes (Pequenas Índias).
Em 1876, D. Pedro II, imperador do Brasil, encomendou cópias de seus quadros, feitas pelo pintor Niels Aagaard Lutzen, que estão hoje no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro. A "Dança dos Tapuias" é considerada a obra-prima de Eckhout. O número de telas produzidas por ele na Nova Holanda pode ser bem maior do que se sabe.
Algumas de suas obras talvez tenham sido destruídas em incêndios. É provável que o próprio Eckhout conservasse alguma coisa para si, pois seus quadros apareceram em coleções particulares muito depois de sua morte. Embora alguns se perdessem durante a Segunda Guerra Mundial, ainda existem 80 telas de pássaros brasileiros, produzidas nos dez anos em que o artista esteve em Dresden, na Alemanha.
Depois do Brasil, Eckhout mudou-se para Amersfoort (1648), cidade onde batizou seus três filhos. Morou em Sachsen, Dresden (1653-1663), contratado por João Jorge II como pintor de sua corte. Mas, vitimado pela malária adquirida em sua estadia na América, voltou para sua cidade natal onde morreu no ano seguinte.
Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Eckhout, mas sabe-se que provavelmente seguia o Cristianismo Calvinista, já que o calvinismo era a religião oficial da Holanda. Ele não recebeu o mesmo reconhecimento que o colega Frans Post no mundo das artes e ficou esquecido durante séculos. Ainda hoje historiadores contestam o valor artístico de sua obra, exaltando apenas o documental.
Como pintor sua obra totalizou oito representações, em tamanho natural, de habitantes locais e uma série de doze naturezas-mortas com frutas tropicais, sendo que essa coleção pertence ao Museu Nacional da Dinamarca, presente de Maurício de Nassau a seu primo Frederico III, rei da Dinamarca (1654). D. Pedro II, imperador do Brasil, encomendou cópias (1876) em escala menor de seus quadros que encontram-se no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro
(Na figura mulher afro-brasileira retratada por Eckhout).
Até a década de 70, a obra de Eckhout foi mesma vista como somente documento histórico. Hoje sua obra está inserida no contexto da história da arte. Eckhout não deu título para as telas brasileiras e apenas assinou sete delas. Já se levantou a questão de ele não ter pintado os quadros no Brasil, de tê-las assinado somente quando foram doadas à Dinamarca. Mas, como diz Barbara Berlowicz, não há uma resposta final acerca das obras. Ela até mesmo diz que o importante é apenas observá-las.
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Sobrinho do pintor Gheert Roeleffs, Eckhout trabalhava em Amsterdã (Holanda) como ilustrador, aos 26 anos, quando foi convidado para a missão artística de Nassau. De 1637 a 1644, documentou frutas, flores, animais e pessoas do Nordeste brasileiro com desenhos e telas. Ficou fascinado pelo que encontrou no Brasil. A maioria das telas tinha mais de dois metros de altura. Foram pintadas para o Palácio de Friburgo, a residência de Nassau no Recife e foram levadas pelo governador quando os holandeses foram expulsos.
Mesmo após voltar à Europa, continuou a elaborar imagens sobre material recolhido, ainda patrocinado por Nassau. O príncipe presenteava com obras de Eckhout a nobreza européia. Seu primo Frederico 3º, rei da Dinamarca, recebeu oito representações de índios brasileiros em tamanho natural e uma série de 12 naturezas-mortas com frutas tropicais. Essa coleção pertence ao Museu Nacional da Dinamarca e só foi exposta no Brasil no final do século 20.
Para o rei da França Luís XIV foi enviada uma coleção de oito pinturas, levadas para a manufatura de tapeçarias dos Gobelins onde foram reproduzidas na série chamada "Tapeçarias das Índias". Elas tornaram-se muito conhecidas e foram tão copiadas que os cartões originais que serviam de matriz para produzir novas tapeçarias se estragaram. O Museu de Arte de São Paulo (Masp) possui cinco da primeira série, a Petites Indes (Pequenas Índias).
Em 1876, D. Pedro II, imperador do Brasil, encomendou cópias de seus quadros, feitas pelo pintor Niels Aagaard Lutzen, que estão hoje no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro. A "Dança dos Tapuias" é considerada a obra-prima de Eckhout. O número de telas produzidas por ele na Nova Holanda pode ser bem maior do que se sabe.
Algumas de suas obras talvez tenham sido destruídas em incêndios. É provável que o próprio Eckhout conservasse alguma coisa para si, pois seus quadros apareceram em coleções particulares muito depois de sua morte. Embora alguns se perdessem durante a Segunda Guerra Mundial, ainda existem 80 telas de pássaros brasileiros, produzidas nos dez anos em que o artista esteve em Dresden, na Alemanha.
Depois do Brasil, Eckhout mudou-se para Amersfoort (1648), cidade onde batizou seus três filhos. Morou em Sachsen, Dresden (1653-1663), contratado por João Jorge II como pintor de sua corte. Mas, vitimado pela malária adquirida em sua estadia na América, voltou para sua cidade natal onde morreu no ano seguinte.
Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Eckhout, mas sabe-se que provavelmente seguia o Cristianismo Calvinista, já que o calvinismo era a religião oficial da Holanda. Ele não recebeu o mesmo reconhecimento que o colega Frans Post no mundo das artes e ficou esquecido durante séculos. Ainda hoje historiadores contestam o valor artístico de sua obra, exaltando apenas o documental.
Como pintor sua obra totalizou oito representações, em tamanho natural, de habitantes locais e uma série de doze naturezas-mortas com frutas tropicais, sendo que essa coleção pertence ao Museu Nacional da Dinamarca, presente de Maurício de Nassau a seu primo Frederico III, rei da Dinamarca (1654). D. Pedro II, imperador do Brasil, encomendou cópias (1876) em escala menor de seus quadros que encontram-se no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro
(Na figura mulher afro-brasileira retratada por Eckhout).
Até a década de 70, a obra de Eckhout foi mesma vista como somente documento histórico. Hoje sua obra está inserida no contexto da história da arte. Eckhout não deu título para as telas brasileiras e apenas assinou sete delas. Já se levantou a questão de ele não ter pintado os quadros no Brasil, de tê-las assinado somente quando foram doadas à Dinamarca. Mas, como diz Barbara Berlowicz, não há uma resposta final acerca das obras. Ela até mesmo diz que o importante é apenas observá-las.
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Heliocentrismo
Em astronomia, heliocentrismo é a teoria que o Sol está estacionário no centro do sistema solar. A palavra vem do grego (Helios = sol e kentron = centro). Historicamente, o heliocentrismo era oposto ao geocentrismo, que colocava a Terra no centro do universo. Apesar das discussões da possibilidade do heliocentrismo datarem da antiguidade clássica, somente 1.800 anos mais tarde, no século XVI, que o matemático e astrônomo polonês Nicolaus Copernicus apresentou um modelo matemático completo de um sistema heliocêntrico, que mais tarde foi elaborado e expandido por Johannes Kepler.
A ordem de colocação dos planetas segue o mesmo raciocínio que no modelo geocêntrico, quanto mais lento fosse o movimento desse planeta entre as estrelas, mais distante estaria do Sol. Também mantém a esfera das estrelas fixas, pois acredita que o universo é finito. Este modelo de universo sofreu forte contestação por parte da igreja, sendo inclusive proibido pela Inquisição. O sistema de Copérnico pode ser percebido como uma simples troca de referencial, do ponto de vista da descrição dos movimentos planetários. Entretanto, o modelo heliocêntrico trouxe consigo profundas mudanças filosóficas na maneira de compreender o mundo, como veremos.
O astrónomo e matemático Thomas Digges (1543-1595), nasceu no mesmo ano em que Copérnico morreu. Num trabalho de divulgação denominado “A perfit Description of the Caelestiall Orbes”, primeiramente publicado em 1576, ele expõe o sistema de Copérnico e introduz uma nova visão desse sistema. Digges retira a fronteira do universo e expande as estrelas por um espaço infinito. Este livro teve várias reedições na última metade do séc. XVI, e colocou em discussão ideias que derrubavam o universo heliocêntrico.
O matemático mais importante do heliocentrismo é Galileu Galilei. Em 1642, ele morreu cego e condenado pela Igreja Católica por suas convicções científicas. Teve suas obras censuradas e proibidas. Contudo, uma de suas obras foi publicada mesmo com a proibição da Igreja Católica, pois seu local de publicação foi em zona protestante, onde a interferência católica não teve influência significativa. A mesma constituição que o condenou o absolveu muito tempo após sua morte, em 1983.
Modelo Heliocêntrico de Galileu
A astronomia depois de Galileu passa a evoluir de uma forma muito mais independente do que havia acontecido até então. Para isso foi fundamental a separação feita entre a ciência e religião, no qual Galileu teve um papel de destaque. Essa separação passou a ser aceite pela maioria dos intelectuais que se lhe seguiram. A obra de Galileu talvez não tivesse tido a profundidade e o alcance que teve se imediatamente a seguir não tivesse surgido uma outra figura ímpar na história da ciência, Isaac Newton. Não deixa de ser curioso o facto deste ter nascido no ano em que morreu Galileu.
Devido a este fato, de certa forma, podemos dizer que houve uma continuidade na criação de saber e no desenvolvimento do conhecimento científico. Entre a obra destas duas figuras fundamentais da história da astronomia, e da ciência em geral, convém referir a importância do trabalho de René Descartes (1596-1650), que surge como que a estabelecer uma ponte entre Galileu e Newton e, de Robert Hooke (1635-1703) e Christiaan Huygens (1629-1695), que deram fortes contributos no estabelecimento da lei de gravitação universal.
Descartes é sobretudo conhecido pelo seu trabalho “O discurso do método” na área da filosofia, entretanto, a sua obra no campo da física e da matemática foi igualmente importante, onde introduziu conceitos matemáticos relevantes como os de espaço e movimento, que como sabemos são fundamentais para a astronomia atual. Descartes compara o conceito de matéria com o conceito de espaço, concluindo que, não fosse a constatação fundamental de que a matéria se pode mover, matéria e espaço seriam entidades idênticas.
Por outras palavras, se não fosse pelos movimentos observados no Universo, não existiriam diferenças significativas entre as diversas regiões, e o Universo seria totalmente uniforme. Assim, Descartes concluía que todas as diferenças observadas entre distintas regiões do Universo, não poderiam ser mais do que o resultado de movimentos da matéria. Por isto, qualquer movimento observado nos corpos materiais teria que ser compatível com os movimentos da matéria circundante.
No movimento das partículas materiais, segundo Descartes, os movimentos que em princípio deveriam ser em linha reta, conduziriam a uma circulação de matéria que constituíam aquilo que Descartes designou por vórtices. O sistema solar seria assim um exemplo de um vórtice desse tipo, constituído por partículas materiais cujos movimentos as tornariam invisíveis. Seria esse material invisível que transportaria os planetas nas suas órbitas. Entretanto, devido a um efeito centrífugo, pequenas quantidades de matéria em agitação, que o olho humano detectaria como luminosas, seriam formadas a deslocar-se para o centro do vórtice onde se agregariam, formando assim o aglomerado luminoso que constitui o Sol.
Descartes supunha que o vórtice em redor de uma estrela poderia colapsar, passando a estrela para um vórtice vizinho. Dependendo da situação dinâmica local, a estrela poderia ter dois destinos distintos, isto é:
(1) Transformar-se num planeta e tornar-se membro permanente do seu novo vórtice;
(2) Transformar-se num cometa passando, neste caso, desse vórtice para o vórtice seguinte.
No entanto, apesar de os cartesianos poderem explicar de uma forma mais ou menos aceitável o estado de movimento dos corpos celestes conhecidos na época, dificilmente poderiam prever o modo como esses corpos iriam evoluir no futuro. O poder da previsão das posições dos corpos celestes surge apenas com a física newtoniana.
A ordem de colocação dos planetas segue o mesmo raciocínio que no modelo geocêntrico, quanto mais lento fosse o movimento desse planeta entre as estrelas, mais distante estaria do Sol. Também mantém a esfera das estrelas fixas, pois acredita que o universo é finito. Este modelo de universo sofreu forte contestação por parte da igreja, sendo inclusive proibido pela Inquisição. O sistema de Copérnico pode ser percebido como uma simples troca de referencial, do ponto de vista da descrição dos movimentos planetários. Entretanto, o modelo heliocêntrico trouxe consigo profundas mudanças filosóficas na maneira de compreender o mundo, como veremos.
O astrónomo e matemático Thomas Digges (1543-1595), nasceu no mesmo ano em que Copérnico morreu. Num trabalho de divulgação denominado “A perfit Description of the Caelestiall Orbes”, primeiramente publicado em 1576, ele expõe o sistema de Copérnico e introduz uma nova visão desse sistema. Digges retira a fronteira do universo e expande as estrelas por um espaço infinito. Este livro teve várias reedições na última metade do séc. XVI, e colocou em discussão ideias que derrubavam o universo heliocêntrico.
O matemático mais importante do heliocentrismo é Galileu Galilei. Em 1642, ele morreu cego e condenado pela Igreja Católica por suas convicções científicas. Teve suas obras censuradas e proibidas. Contudo, uma de suas obras foi publicada mesmo com a proibição da Igreja Católica, pois seu local de publicação foi em zona protestante, onde a interferência católica não teve influência significativa. A mesma constituição que o condenou o absolveu muito tempo após sua morte, em 1983.
Modelo Heliocêntrico de Galileu
A astronomia depois de Galileu passa a evoluir de uma forma muito mais independente do que havia acontecido até então. Para isso foi fundamental a separação feita entre a ciência e religião, no qual Galileu teve um papel de destaque. Essa separação passou a ser aceite pela maioria dos intelectuais que se lhe seguiram. A obra de Galileu talvez não tivesse tido a profundidade e o alcance que teve se imediatamente a seguir não tivesse surgido uma outra figura ímpar na história da ciência, Isaac Newton. Não deixa de ser curioso o facto deste ter nascido no ano em que morreu Galileu.
Devido a este fato, de certa forma, podemos dizer que houve uma continuidade na criação de saber e no desenvolvimento do conhecimento científico. Entre a obra destas duas figuras fundamentais da história da astronomia, e da ciência em geral, convém referir a importância do trabalho de René Descartes (1596-1650), que surge como que a estabelecer uma ponte entre Galileu e Newton e, de Robert Hooke (1635-1703) e Christiaan Huygens (1629-1695), que deram fortes contributos no estabelecimento da lei de gravitação universal.
Descartes é sobretudo conhecido pelo seu trabalho “O discurso do método” na área da filosofia, entretanto, a sua obra no campo da física e da matemática foi igualmente importante, onde introduziu conceitos matemáticos relevantes como os de espaço e movimento, que como sabemos são fundamentais para a astronomia atual. Descartes compara o conceito de matéria com o conceito de espaço, concluindo que, não fosse a constatação fundamental de que a matéria se pode mover, matéria e espaço seriam entidades idênticas.
Por outras palavras, se não fosse pelos movimentos observados no Universo, não existiriam diferenças significativas entre as diversas regiões, e o Universo seria totalmente uniforme. Assim, Descartes concluía que todas as diferenças observadas entre distintas regiões do Universo, não poderiam ser mais do que o resultado de movimentos da matéria. Por isto, qualquer movimento observado nos corpos materiais teria que ser compatível com os movimentos da matéria circundante.
No movimento das partículas materiais, segundo Descartes, os movimentos que em princípio deveriam ser em linha reta, conduziriam a uma circulação de matéria que constituíam aquilo que Descartes designou por vórtices. O sistema solar seria assim um exemplo de um vórtice desse tipo, constituído por partículas materiais cujos movimentos as tornariam invisíveis. Seria esse material invisível que transportaria os planetas nas suas órbitas. Entretanto, devido a um efeito centrífugo, pequenas quantidades de matéria em agitação, que o olho humano detectaria como luminosas, seriam formadas a deslocar-se para o centro do vórtice onde se agregariam, formando assim o aglomerado luminoso que constitui o Sol.
Descartes supunha que o vórtice em redor de uma estrela poderia colapsar, passando a estrela para um vórtice vizinho. Dependendo da situação dinâmica local, a estrela poderia ter dois destinos distintos, isto é:
(1) Transformar-se num planeta e tornar-se membro permanente do seu novo vórtice;
(2) Transformar-se num cometa passando, neste caso, desse vórtice para o vórtice seguinte.
No entanto, apesar de os cartesianos poderem explicar de uma forma mais ou menos aceitável o estado de movimento dos corpos celestes conhecidos na época, dificilmente poderiam prever o modo como esses corpos iriam evoluir no futuro. O poder da previsão das posições dos corpos celestes surge apenas com a física newtoniana.
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